domingo, agosto 06, 2006

Comentando


Se, dos recentes episódios da esfera policial em São Paulo, não forem tiradas lições para a reforma das leias que regem o assunto, definitivamente mergulharemos mais fundo, neste poço sem saída que é a violência urbana em nosso País.
A ação descontrolada de elementos que cumprem pena em presídios seguida de forte reação policial, com centenas de mortos, mostram o quanto estamos desprotegidos da ação marginal que não respeita as leis e zomba da autoridade.
Bem esclarecedor, também foi o espetáculo montado com o desdobramento dos dois casos de homicídio havidos naquele Estado, os cometidos por Suzane Richtofen e cia contra os próprios pais e aquele outro, de idêntica crueldade, liderado por um jovem de 16 anos, o “Champinha” que, por sinal, nem foi a julgamento...
Em princípio, para aqueles que associam a violência à pobreza, fica difícil explicar o crime cometido por Suzane, Daniel e Christian, da mesma forma que Paulo Freire, antes de nos deixar, buscava, em vão, entender como um jovem bem formado, de família “classe A”, pela educação e pelos recursos financeiros, havia colocado fogo em um índio, numa calçada de Brasília...
Seria muito fácil tentar também explicar a violência pelo grau de escolaridade, pela leitura das estatísticas dos presídios, mas, a grande verdade é que os ricos têm como escapar das grades, ao contrário dos pobres!
Quando se fala em violência, parece-nos que não temos como conceituá-la baseados em fundamentos sociais, como escolaridade, condições financeiras e econômicas e, até religiosas, pois, como temos visto, a chamada “bancada da fé”, no Congresso Nacional, não tem dado bons exemplos de conduta moral, no decorrer dos tempos.
Urge pois que busquemos respostas para questões que nos angustiam pois, pelo que se vê, não existe CRISE DE VIOLÊNCIA no País e, sim, uma degeneração moral, no decorrer dos tempos.
E faz parte dessa degradação aquilo que, há tanto tempo, temos denunciado nas religiões, a prática do charlatanismo, com o anúncio de curas e milagres, aos borbotões, como se isso fosse possível, de acordo com a evolução do conhecimento humano!
Tomando por base aquilo que tem acontecido na própria Igreja Católica Apostólica Romana, seria muito bom que certos leigos e, infelizmente, certos padres daqui e de além-mar, lessem o Direito Romano, naquilo que se refere a “milagres”!
Eles saberiam, por exemplo, que o anúncio de qualquer “milagre” é atribuição de um Bispo, jamais de um padre ou de um leigo, depois de cuidadosa investigação científica.
Quando “milagres” são anunciados, como em certos programas de televisão, pelo Direito Romano, está havendo usurpação do poder e, possivelmente, em 99,9% dos casos, charlatanismo!
Uma outra interpretação desta verdade só pode ser aceita se dermos guarida ao fundamentalismo religioso!
E o fundamentalismo explica, entre outras coisas, a “guerra santa” em que se mata, “em nome de Deus”.
Responsabilidade maior em todo esse processo está com nossos políticos que, por imobilismo, pouco fazem para mudar nossas leis.
O resto é conversa fiada!

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